
Então, chegou a hora...
Chegou a hora de eu te mostrar o meu ouro, meu ouro tão de tolo.
Mas não te anima não, pois nem tudo que reluz é ouro, mas provoca uma sombra do teu tamanho.
Então vai, não me incomoda, não atrapalha o meu passar, que já está tão no fim.
Tenho pressa agora, talvez mais do que antes.
Pressa de ficar quieta, na espreita da noite olhando a criança dormir.
Tenho pressa de congelar nos momentos de teu sorrir.
Tanta pressa tiver em fazer tantas coisas na vida.
Agora a vida tem pressa comigo, me engana, me desconecta mostrando a ferida.
Morrer todo mundo morre, o difícil é saber a hora, ou não saber a hora, esperar por horas, que os minutos fiquem quietos e que tudo seja possível.
Não me engano não, minha mente é inquieta, meu ser agora é quieto, oro, rezo, canto, me entrego ao doce sabor dos Deuses, aqueles que me habitam, aqueles que eu habito. É um vai e vem de coisas, despedidas, desapegos, coceiras mentais, que me desassossegam, pois afinal, tanto faz.
Morrer nem é tão ruim, o difícil mesmo é morrer aos pouquinhos, é saber que vivo para isto, nem dá mais tempo.
Tudo é um grande abismo, que agente cai em queda livre e lenta e a gravidade maldita, não deixa agente olhar pro lado, segura firme a cabeça.
Com meu olho estalado, espero o chão chegar.
Nem sei se ainda vou chorar, quero mesmo é rir, destes que passam e nem entendem, destes umbigos humanos, que de tão humanos, se esquecem...
Amigos, amores, desenganos, humores, quanta coisa importante que fica e eu nem vou mais me lembrar, mas com certeza vai doer, doer sim em quem ficar.
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